Lammas, e o retorno do corvo



"Debulhar o trigo, refazer o bago do trigo. Afagar a terra, conhecer os desejos da terra. Cio da terra. Precisamos aprender onde e quando plantar. Quando dar a luz. É da terra que tiramos nosso sustento. Nossa vida. Fomos agraciados pelos deuses com essa existência milagrosa. A estes, em fogo e suor, prestamos a nossa reverência."


O vento, um sopro suave e constante, dança entre as folhas das árvores e desce pelas encostas das terras férteis de Avalons. Cada rajada é como um murmúrio dos deuses antigos, abençoando a colheita que balança delicadamente, madura e pesada sob o sol dourado do fim de verão. Athair Urram e Ellora caminham lado a lado, seus passos ritmados ecoando na terra macia enquanto ascendem o morro em direção aos campos. Athair Urram, com sua túnica de druida adornada com símbolos sagrados, entoa um canto em seu coração: *"Mãe Terra, sentimos tua pulsação sob nossos pés, ouvimos teu coração nos ventos. A ti, agradecemos pela generosidade dos frutos que nutrem nosso povo."* Seus olhos cinzentos brilham com reverência quando ele se aproxima dos bonecos de palha erguidos para o ritual. Ellora, vestida com os tecidos finos e dourados da gran sacerdotisa, segue em silêncio atrás de Athair. Seu olhar profundo reflete a seriedade do momento enquanto ela aguarda o sinal do druida para iniciar o ritual que marca o ápice da temporada de colheita. O campo se estende diante deles, um mar de dourado e verde onde cada talo de trigo é uma promessa cumprida aos antigos deuses da terra. Athair ergue suas mãos para o céu claro, invocando: "Ó grande deus do Sol, que tua luz continue a aquecer nossas terras e que tua bênção permaneça sobre nós." Um sinal de Athair e Ellora acende a tocha. O fogo crepita, suas labaredas dançando como línguas de serpente devorando os bonecos de palha do ano anterior. As chamas consomem os símbolos dos ciclos que se encerram, preparando o caminho para os novos começos que virão.

"Que a colheita comece!", proclama Ellora com voz clara, apagando a tocha em um gesto simbólico que ecoa através das encostas. Seu olhar se volta para Elvia, a Baronesa do Cacau, uma figura imponente que aguarda com sua foice reluzente em mãos. Elvia sorri para a gran sacerdotisa, seu rosto iluminado pela luz do crepúsculo. "É tempo de agradecer aos ciclos que nos sustentam", murmura, mais para si mesma do que para os presentes. Athair observa a cena com um sorriso sereno. Enquanto as chamas dos bonecos queimam, ele se inclina para colher alguns ramos de trigo maduro. Cada caule é uma promessa de prosperidade, e ele os distribui entre os membros da tribo, desejando fertilidade e abundância a todos. Do espelho d'água próximo, Morríghan observa a cerimônia com um misto de nostalgia e devoção. Ela vê os gestos solenes de Ellora e Athair, testemunhas dos antigos rituais que sustentam sua comunidade. Um sorriso leve toca seus lábios enquanto ela recorda os tempos antigos e os desafios superados. Morríghan monta seu cavalo negro, um símbolo de sua conexão com as forças selvagens que permeiam Avalons. Com um gesto decidido, ela desenrola um embrulho pendurado na sela e o lança na fogueira, a cabeça do inimigo derrotado estalando e crepitando quando se torna parte das chamas. "Que as vitórias sejam sempre celebradas com gratidão", murmura para si mesma, observando a cabeça do inimigo ser consumida pelo fogo. Ellora, ao avistar Morríghan, sente um misto de surpresa e alegria profunda. Ela se aproxima da irmã mais velha com passos rápidos e, quebrando os protocolos sagrados, a abraça calorosamente. "Precisamos retornar ao nosso lar, Morríghan", sussurra, sua voz carregada de emoção. Morríghan, inicialmente surpresa com o gesto afetuoso, recupera-se rapidamente e oferece a mão à Ellora, convidando-a a subir no cavalo ao seu lado. Seus olhos azuis encontram os de Athair, reconhecimento e respeito mútuo passando entre eles. Athair Urram se aproxima das duas mulheres com um sorriso afetuoso, seus olhos cinzentos brilhando com alegria genuína. "Bem-vindas, filhas", ele diz suavemente, suas palavras carregadas de significado ancestral. Ellora aceita a mão de Morríghan e sobe no cavalo com ela, pronta para retornar à aldeia e iniciar uma nova fase de suas vidas juntas. Entre conversas sussurradas e sorrisos compartilhados, elas se permitem desfrutar da conexão familiar e da beleza do ritual que celebra não apenas a colheita, mas também a união sagrada entre as pessoas e os deuses que cuidam de Avalons.



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