As Brumas
"Nos perdemos em meio a tantas brumas. O mundo que vivemos é feito de brumas, de mistérios, de coisas incompreensíveis. Perguntas, respostas e visões que permanecem suspensas no ar. Outras vezes jazem no chão. É a nossa carne, nosso sangue, nossa empatia. Reparto-as, tanjo-as para longe, mas elas insistem em voltar e envolver meu ser, como se meu corpo fizesse parte da própria bruma. Meu corpo feminino é mistério, e a partir dele eu reinvoco o mundo"

Ellora passara o dia fiando lã em linha fina. Um trabalho que passará tanto tempo sem fazer mas lhe dava muito prazer. Recorda-se vagamente quando sentava com sua mãe progenitora e essa lhe passava o passo a passo desse trabalho que sempre foi passado para as mulheres. É a lembrança mais concreta de sua antiga família. Já era noite e estava escuro. A luz do fogo que iluminava o recinto não colaborava para o trabalho. Ellora para um pouco e admira a linha que fiara até então. Tem certeza que era o melhor trabalho que fizera. Gostaria de fazer um tecido com aquela linha e costurar uma blusa para aqueles que são sua nova família: Morrighan e Athair. Um presente depois de tantos tempo sem trocas de mimos. O vento sobre o planalto e faz a floresta densa que cerca a aldeia balançar, e um cheiro de maresia forte invade a aldeia. As pessoas na aldeia estão recolhidas. Somente Ellora insistia em trabalhar. Ainda restava um pouco de lã *Não vou deixar trabalho para amanhã* diz separando o pouco que resta de lã para fiar
Pandora já a algum tempo na cidade com a Baronesa, carecendo de notícias de sua Gran sacerdotisa acompanhada de instruções sobre missões na cidade, segue discretamente em direção à vila celta. O caminho está aparentemente tranquilo e, olhando discretamente quando chega na encruzilhada, verificando se alguém não a tinha seguindo, entra no caminho apenas conhecido pelo povo. Pelo menos assim ela acredita até que * Deusa, tem alguém caído no caminho* Com esse pensamento ela se aproxima com certa suspeita o som sai de sua boca quase como um gripo - Grande deusa, é o mestre Athair!!! Ela coloca a mão na boca, pega na cintura o punhal, que sempre carrega consigo, depois de ter certeza que ninguém está à espreita, segue correndo a caminho da vila que não esta distante. Sozinha não pode carregar o velho, precisa avisar alguém, quem feriu o velho pode ainda está perto...ou está na vila. Ao longe vê Ellora e uma mulher que ela ainda não havia sido apresentada – Ellora, Ellora, precisas vir comigo.... Athair – Ela mal termina a frase, sem fôlego, volta pedindo que as mulheres a sigam, fazendo apenas um sinal.

Morrighan está em mais uma de suas muitas missões…. Numa destas noites frias e intermináveis, ela sonha com Ellora. Sente sua irmã aflita clamando pelo seu retorno.
Ellora começa a fiar, transformando o que restava da lá grossa de linha em um fio delicado. O cheiro de maresia a faz lembra da ilha sagrada. Não consegue se afastar dessas memórias. Mas estava ali fiando para os seus, que também são as pessoas que norteiam o seu povo, os tuatha de danann. Lembra como já estava pronta apenas aguardando a chegada de seu pai à vila. Estava calma por fora, mais a ansiedade infantil corroía-lhe as vísceras. A visão de Ellora se perde nas imagens e sensações e, no manuseio ligeiro de sua mão, o fio se parte. Ellora retorna dos seus devaneios e não entende o motivo do fio partir. *Arianrhod, minha deusa, face da grande mãe, o que isso significa? *
Pandora segue até a tenda, abre-a em rompante – Ellora, precisas vir comigo, Athair. - Interrompe a falar se virando mais uma vez, fazendo um sinal para que ela a siga!
O sono de Morrighan é interrompido pela forte agitação de seu corvo. Ao abrir seus olhos percebe que muitos corvos sobrevoavam o local de seu acampamento. Morrighan segue em direção a um riacho bem próximo do local, agachada chama por Ellora: - Ellora, minha irmã! Ellora! - Mas nenhuma resposta, apenas pode ver a imagem de brumas tomando conta daquela visão. Em seguida, mas que depressa, recolhe todo seu armamento, acorda todos os guerreiros que a acompanhavam em sua missão, cela seu cavalo e parte para sua aldeia.
Ellora vê a sua pupila chegar sobressaltada. O nome que sai de seus lábios lhe chama atenção. Se levanta sem pensar e segue Pandora. Algumas pessoas que moravam próximas à casa de fiar acordaram e, ao verem as sacerdotisas correndo, as seguiram curiosas para saber o motivo de tanto alarde a essa hora da noite. No caminho, Ellora não deixa de pensar no fio que partira enquanto fiava. Pandora chega na frente, guiando a todos. Ali estava Athair, caído, no meio da estrada como se fosse um qualquer, um indigente. Ellora se ajoelha para tocar no corpo de seu pai. Toca-lhe a barba e o cabelo alvo, a pele queimada do sol que tomara em tantas caminhadas em busca de sabedoria: “Meu pai, Meu pai. Minha mãe. O que aconteceu.” suas palavras estão cheias de emoção. Entretanto não há tempo para se emocionar. Mais e mais pessoas da vila começam a se amontoar para ver o que acontece. Ellora se levanta e ordena que dois dos discípulos de Athair o carreguem para nosso lugar sagrado. Pronunciando algumas palavras, Ellora chama para si sua coruja. Ela vem lentamente, como se voasse triste: “Arianrhod, você que leva o nome da deusa que representa. A grande mãe frutosa, que provém a morte e o renascimento. Carregue essa mensagem como que é filha do vento e nele baila. Traga-me Morrighan. Traga-me minha irmã. Vá”. E devolve a coruja ao ar, enquanto vê o corpo de seu pai ser carregado pelas pessoas da aldeia
Pandora apreensiva, a observar o mestre Athair naquele estado * será que ele está morto?* sai deste pensamento apenas para observar sua Gran mestra enviar sua coruja em missão para trazer alguém para ajudá-las!

Durante o trajeto de volta a aldeia, Morrighan, por meio do mensageiro Arianrhod (coruja) de Ellora, recebe a notícia de que seu pai estava muito doente. Seus interesses particulares sempre estavam em segundo plano quando se tratava dos laços familiares. Seu pai adotivo e protetor sempre fora um guia em sua existência. “Era preciso estar perto de sua irmã o mais rápido possível”, assim Morrighan pensava. E em meio a todos os guerreiros que ali estavam montados em seus cavalos, Morrighan deixa seus trajes humanos para trás transformando em um corvo, sua terceira forma. Desta forma conseguiria chegar mais depressa, assim imaginava. E segue seu caminho sobrevoando muito acima das copas das árvores partindo em grande velocidade.
Ellora segue com os que carregam o corpo de Athair: “Venha Pandora. Você precisa me explicar o que aconteceu. E precisarei de sua ajuda. Eu não conseguirei sozinha”. Ellora tenta falar em tom firme mas sua voz carrega a angústia de não saber o que aconteceu. Como não viu que Athair estaria assim, caído, machucado? Talvez seja o acontecimento mais importante nos últimos tempos entre os Pictos. O coração de Ellora se enche de dúvidas, mas também de raiva por não ter uma explicação. “Seguiremos apenas os que carregam o corpo, eu e Pandora. Não impeçam a chegada de Morrighan quando ela chegar. O corvo e a coruja são mais sábios quando trabalham juntos. Todos os outros vão para seus lares e peçam proteção à deusa.” Sua voz e seca e embargada. Ellora não diz mais uma palavra até chegar no altar sagrado
Todos estão tristes, pesados. Aquele homem era muito amado. Ela mesma, Pandora, havia se conectado a ele quase que de imediato em poucas e sabias conversas que ele dirigiu a ela. Os pensamentos são interrompidos pela pergunta de Ellora, mas ela não tem muito a dizer , mas sussurra para a mulher vendo o pesar ainda mair, e tenta acalmá-la: - Ellora, eu vim ter contigo, para passar informações que agora pouco importam quando me deparei com o Mestre Athair caído. A princípio achei até que o pior …- Ela interrompe a fala, mas continua - Foi quando corri para pedir socorro na vila – Ela olha para trás, para o alto esperando que a coruja volte com a ajuda que Ellora pediu que chamasse!

Depois de horas sobrevoando pelos céus de Avalon, Morrighan, finalmente, chega a aldeia. Seu corpo humano vai retornando a forma original. As negras penas vão adentrando sua pele. Uma reação de dor como se estive fadada a levar para sempre, consigo, esta maldição. Mal percebe que esta nua e em meio a escuridão e silêncio que assola o local, adentra a aldeia chamando em alto tom por sua irmã: -Elloraaa!
Star of Honor v1.5: ===ROLAGEM DE DADOS ATRIBUTO PERCEPÇÃO===
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Ellora escuta as palavras que Pandora fala mas sabe que não há muito o que explicar. Ao menos não aqui. O que importa é saber se ele está vivo. Ellora reitra sua camisa cuidadosamente e vê um movimento muito sutil no tórax expandindo e relaxando. *respira. ele respira* pensa ela aliviada. Imediatamente pega uma tocha e aproxima de seu rosto, Pede para abrirem seu olho que está fechado e observa sua pupila. Ela reage ao fogo e dilata. Ellora fica tranquila. Então escuta sua irmã lhe chamando como um trovão rompendo o silêncio trágico dessa noite. “Vocês que trouxeram o corpo, conduzam minha irmã até aqui e depois deixe que apenas a mulheres permaneçam. Conduzam-na em trajes apropriados para o momento.” ordena enquanto pensa *seremos aqui as três faces cuidando de meu pai. As três faces da deusa. Isso deve bastar*
Pandora vai até a mulher que acaba de chegar. Um pressemtimento a avisa que ela lhe é familiar. Pega um manto e cobre a mulher que chegara completamente nua. A leva até onde está Ellora e o corpo de Athair que agora ela sabe aliviada que ainda vive.
Morrighan recebe um traje das mãos de uma sacerdotisa e a segue em direção à sua irmã. Sobre o altar estava o corpo de Athair. Ao tocá-lo pode sentir a quentura em sua pele. Seu pai ainda respirava, assim pode sentir-se um pouco mais aliviada. Acariciando os brancos cabelos de seu pai, Morrighan, pronuncia algumas poucas palavras: -
Devo minha vida a ele, me alimentou, me ensinou, me vestiu, lutou por mim *respira fundo* mas o mais importante: ele nos amou incondicionalmente! - caminha em direção à Ellora, e lhe oferta um abraço dizendo: -Nosso pai vive minha irmã! Está transitando entre dois mundos o qual não sabemos que fim terá. Só os Deuses sabem o qual ele escolherá. Faça o que tiver que fazer Ellora, nossa aldeia precisará de braços firmes e de um líder nato. Sem o nosso pai, estaremos desprotegidos, não perca tempo!

Ellora recebe o abraço de Morrighan e desaba em um choro. Sua voz ecoa pela caverna como um agouro de morte. Ellora sabe que sua irmã está certa e chora por que essa será a última vez que poderá chorar na frente dos outros. Sua irmã e sua pupila são testemunhas desse último choro de dor da sacerdotisa. Ela larga a tocha que se apaga, se ajoelha e faz uma prece à deusa:
"Oh Arianrhod, donzela, mãe e amante,
Senhora da Iniciação
Que nos nossos nomes
Que nos deu nossas armas
Para que pudéssemos ter uma nova vida.
De você nós viemos
E para seus braços retornaremos
Deusa resplandecente
Filha do grande deus Don
Nós a convidamos para descer
Da sua terra de estrelas e florestas selvagens
Junte-se a nós e inunde-nos com seu poder
Abençoa-nos Arianrhod!
E ilumine nossos caminhos
Através da luz da Lua Cheia
E, proteja este que é um dos seus filhos mais precisos
Permita que ele complete a jornada e retorne para a carne"
Pois somos seus filhos mais amorosos!" - imediatamente diz a Pandora, com a voz pesada pelo choro: " Pandora, Macere Valeriana, Lavanda, dormideira, flor do campo, visco. Misture ao mel e produza uma pasta. Coloque essa pasta no fronte de Athair e sob sua língua. Depois limpe com água do mar. Ele também poderá apenas beber água de chuva. Esse ritual será necessário até ele despertar. Venha Morrighan" -diz se erguendo “vamos cuidar da proteção de nossa família”
Pandora toma alguma distância e deixa as duas mulheres, mais cúmplices que ela naquela dor a dividirem esse momento. A princípio não entende exatamente o que significa de fato o que a mulher que chegou fala sobre o mestre Athair, pai delas. Uma lágrima escorre e nesse momento, deixa escapar - Ellora, aquele ... - Interrompe o que ia perguntar, presente que não deve fazer esta indagação perto da estranha. Mas alguém havia feito aquilo a Athair e o único estranho que ela viu rondando , não na aldeia, mas próxima dela era o Cristão que auxiliou Ellora em seu parto.
Star of Honor v1.5: ===ROLAGEM DE DADOS ATRIBUTO CARISMA===
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Após ouvir as preces de sua irmã, Morrighan dirige-se ao povo Celta e em voz alta clama para que todos acordem: -Saibam povo Celta, nosso pai estará ausente não sabemos por quanto tempo. Seu corpo esta a vagar por um mundo que só é do conhecimento dos Deuses. Nossa Tríade não será quebrada! Nosso pai sempre foi um bom guia e continuará nos guiando até que se cumpra nosso destino. Nada foi ou será em vão. * Em meio a toda a multidão que se juntou ao local, Morrighan continua: -Com minha espada os protegerei e derramarei sangue de todos àqueles que suas espadas tentarem nos desafiar. VOCÊS ESTÃO COMIGO? *Houve-se todos responderem positivamente levantando seus braços, espadas, lanças e machados num ato heroico e honroso: SIMMM!!! SALVE, SALVE CELTAS! SALVE AOS PICTOS!
Star of Honor v1.5: ===ROLAGEM DE DADOS ATRIBUTO INTELIGENCIA===
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Ellora se afasta ouvindo os gritos de guerra puxados por sua irmã. Ela caminha, percebendo que o povo abre caminho para sua passagem. Sacerdotisas não se colocam diretamente na guerra, mas contribuem para a vitória dos seus de forma ativa. Essa guerra não era apenas de Morrighan. Ellora se aproxima do poço do oráculo e olha para a água que ali está presente há muito tempo. a água sagrada utilizada para a comunicação com a deusa. Sóbria, depois de algum tempo observando o tremular das águas, a representante da deusa respira profundamente ergue as mãos e conclama os poderes da deusa para quem fez a prece há poucos instantes: “Grande mãe, permita que seu povo, os encantados, utilizem da sua presença e de sua benção para representarem essa palavra: ENCANTADOS. Quem sejamos furtivos como as sombras que se escondam na floresta, suaves como as aves que voam e certeiros como os pedradores que caçam suas presas. Nos proteja como há tanto tempo protege a ilha sagrada. Em nome do fogo que é a centelha de vida, a água que gera, a terra que frutifica e o ar que nos embala sem hesitação, cubra-nos com as Brumas sagradas, esconda-nos, preserve-nos. Seu povo será forte, oh Mãe. Seu povo ira ser reerguer na presença de seus inimigos. ” Enquanto pronunciava, uma densa neblina começa a pairar por ao redor da aldeia, ocultando sua presença para seus inimigos. Ellora respira profundamente e observa ao redor. Com uma voz forte diz: “De agora em diante será lei apenas a presença das pessoas que suas líderes permitirem. Qualquer invasor deve ser capturado e levado à nossa presenças. NÓS RESISTIREMOS A TUDO E A TODOS” Ellora vê o povo picto em euforia e se afasta para pensar sozinha sobre tudo que acontece.

Após os gritos de concordância entoados pelos Pictos, que Pandora repete com o mesmo vigor, ouve as palavras de Ellora junto ao poço do oráculo. Aquele encantamento entra em sua mente e quase que por mágica ela o decora. Sabe que poderá ser útil no futuro, para ela e talvez para própria aldeia. De repente, como um encanto , brumas começam a surgir e a pairar em toda aldeia. Se antes era difícil alguém chegar até eles, agora torna praticamente impossível. Pandora fecha os olhos e respira aquele ar mágico.
Se perdendo em meio as Brumas e desaparecendo em meio a multidão, Morrighan pensa “Descobrirei o mal feitor pai e me vingarei, eu prometo!”
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Esse rp é uma homenagem a Althair Urram, e um desejo latente de seu regresso para todos nós


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