Olhos Soturnos


"A roda divina dos ciclos gira. Pessoas adoecem, desaparecem, e a roda gira. Todos os fios da existência humana estão ligados a ela e nela são fiados. Uma amalgama de linhas prateadas nas mãos da Senhora dos Destinos. O que essa neblina realmente esconde do mundo para além dos encantos da floresta?"



Pensamentos. Às vezes eles se mantém corroendo a cabeça de qualquer mortal. A cabeça de Ellora tem se mantido inquieta de um modo que nunca estivera. Acordara em casa com o anuncio de que seu filho morrera. Nunca mais vira o monge e Athair é encontrado desacordado ao redor do vilarejo. É como se o destino estivesse no momento mais caótico e todas as flechas estivessem mirando em sua carne. Seu destino, sua carne. Ellora, sentada no trono da Gran Sacerdotisa vê o emblema da casa dos Druidas dentro de seus domínios: 

"Todos os elementos aqui dentro, junto à deusa mãe". 

Tudo em sua vida tem sido em três - As três faces da deusa; sua primeira família formada por ela, Morrighan e Athair; as três cidades importantes em seu coração; as inquietações de seu futuro em nova família com o monge e seu filho. 

*Que tolice a minha. A criança está morta. A criança que nem nomeada foi. Está no mundo das brumas* pensa enquanto se levanta e caminha para fora.


Assim que seus pés tocam as terras úmidas que chama de lar, o cheiro doce e confortável invade sua alma. São maçãs. Vermelhas maçãs que apenas são produzidas ali. Não há mais nenhuma em Avalon. A maçã que torna as vendas mas frágeis e permite que os olhos enxerguem além, muito além do véu que os cega. Ellora não resiste, até poderia ser um sinal da deusa. Uma mordida. As pessoas ao seu redor continuam suas tarefas. Entre a doçura e consistência dos pedaços da fruta que descem por sua garganta as palavras ditas por Morrighan 

*Faça o que tiver que fazer Ellora, nossa aldeia precisará de braços firmes e de um líder nato. Sem o nosso pai, estaremos desprotegidos, não perca tempo!*.

 As sobras da maçã são colocadas no mato. Ellora se prende às sábias palavras de sua irmã mais velha e caminha adentrando a floresta escondida por seu vilarejo.
O caminho até o Nemeton é longo. É preciso conhecer onde pisa, reconhecer as folhas, as trilhas seguras. Os animais aqui respeitam sua presença e a de seu povo, mas nem sempre foi assim. Muito sangue já foi derramado de ambos os lados e hoje é preciso usar sua presença como voz da deusa na terra para que os seus e suas irmãs e irmãos, filhos e filhas não sejam atacados. Contudo Ellora sabe que não deve abusar da sorte se seguir o caminho trilhado muito antes pelos seus antepassados. à medida que se aproxima do lugar as brumas ficam mais densas. Mesmo conhecendo esse lugar há muito tempo, Ellora finaliza sua chegada com certa dificuldade, mas satisfeita.
As imagens do local sagrado parecem difusas e se escondem. Mal pode ver o oráculo da lua e as tochas acesas parecem estrelas distantes. Ellora se ajoelha na entrada do nemeton, se concentra. Os braços se erguem aos céus e abaixam lentamente, enquanto seu fronte se ergue para estrelas. Não é um movimento simples de dissipar as brumas. Não é para isso que Ellora utiliza seu dom. É um pedido à deusa de luz e sabedoria. 

Star of Honor  v1.5: ===ROLAGEM DE DADOS ATRIBUTO INTELIGENCIA===
Star of Honor  v1.5: Ellora lançou os dados e tirou 20 + 7 = 27


"Grande Mãe
portadora das três faces
responsável pelos ciclos
onde tudo tem um início, meio e fim
você que é a própria natureza
Rogo-te, como sua filha devota
Aponte os caminhos
Que a noite não nos seja perigosa
mas que a Lua
Seja nossa aliada
E tu esteja aqui
encarnada
nos guiando no futuro que se aproxima.
Que meus passos não tenham rompido
os fios do destino de meu povo
E a vida de todos que aqui estão
Sejam linhas fortes
contra todos que queiram
Nos aniquilar
Contra todos que queiram
Te aniquilar"


Ellora diz essa prece com todo amor e desespero que suas incertezas estão carregadas. Sua cabeça toca o solo e sua boca quase pode sentir o gosto da terra sagrada. As brumas se dissipam lentamente enquanto a sacerdotisa ainda está embriagada pelas palavras proferidas. Um piado faz com que a sacerdotisa abra os olhos. A coruja que tanto guiara  em seus caminhos de sacerdócio está ali. Seu animal sagrado que leva o mesmo nome da deusa que representa. "Arianrhod!" Diz Ellora se aproximando da coruja. Ela estende seu braço e a coruja caminha para lá. Caminhando para a entrado do nemeton, no limite entre as terras sagradas e o mundo completamente mortal, Ellora ordena à coruja:

"Estamos ligadas. Uma conexão muito mas forte que qualquer coisa que há na terra. Somos ligadas pela deusa. A grande mãe. É a partir dela que venho ter contigo e te ordenar, minha amiga. Seja meus olhos e nossas terras. Proteja-nos. Não permita que ninguém entre aqui sem nosso conhecimento. Seja você também uma voz da deusa perante os que desejam nos profanar."

Com o braço, Ellora autoriza a coruja alçar voo e observa ela se afastando. A lua brilha intensamente como nunca brilhara antes. Pelo menos não nas memórias da celta. 

"Está na hora de conversar com todos na vila, principalmente com mais alta dentre todas as mulheres do reino. Alguns sacrifícios terão que ser feitos" diz admirando o astro noturno, como se fossem palavras ditas pela Lua. Ellora retorna para a vila lentamente e as brumas voltam a tomar conta do lugar





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