Rebento

"Quando chegou a hora, não pude dizer não. A natureza se impôs sobre meus desejos. A mim, coube apenas seguir o fluxo da vida. Enfim o desejo de expulsá-lo de mim se unio ao desejo da natureza. Qual será a maternidade de quem nunca se espelhou em nenhuma mãe? Qual será o gosto de meu leite e o quão ele alimentará esse pequeno ser que brota em mim? Vem,brota em mim."




Élvia recolhe os lucros de sua barraca na vila do castelo e averiguar os itens que haviam esgotado. Ainda esperava que Ellora viesse até ela, mas dias já se passavam e nada. Ainda frustrada e com receio, sobe em seu cavalo e passeia lentamente pela Floresta que leva às suas terra. Caminho longo e demorado, mas os animais a cativam.

Ellora: É início da manhã. O sol rompe aurora nessa primavera em Avalon. Ellora acorda com o silêncio das pessoas que a acompanham na viagem. Um silêncio sepulcral, como se todos insistissem em continuar na horizontal. Ellora se levanta, como se nada acontecesse. Estava tão farta dos excessos de cuidados de todos. Poderia aproveitar a oportunidade para falar com o monge. Mas nesse momento deseja comer algo leve. Se levanta lentamente. A lombar ainda incomoda. Alguns barulhos de estalo do joelho. Ellora procura algumas frutas silvestres para se alimentar, com a cabeça pensando no monge.

Luca Passou boa parte da noite acordado vigiando a estrada que até aquele momento não mostrava perigoso, tudo era muito quieto e com receio de pegar no sono se levanta para esticar um pouco o corpo, mas ainda com os olhos atentos a tudo ao redor, deveria garantir mais do que nunca a segurança daquela mulher, a senhora dos lagos, que também carregava algo teu. E Ali se manteve, como um sentinela, recusando-se a se entregar ao cansaço do corpo.

Élvia: De repente o cavalo começa a aumentar a velocidade de maneira imprevista. Élvia tenta puxar as rédias com força, o cavalo empina e logo volta a toda velocidade por dentro da floresta. O medo de bater em algum galho e apavorada pela velocidade do cavalo que não consegue controlar, apenas deita se o mais próximo ao pescoço do animal e continua a puxar as rédeas com toda sua força

Ellora encontra uma vegetação próxima às cachoeiras. Infelizmente um animal havia passado ali antes dela. As frutas silvestres estavam escassas, mordidas. O jeito seria beber água e aguardar o dejejum acontecer na casa da baronesa. Estava certa que ela, uma de suas filhas, não negaria uma refeição para a grávida. Caminha até onde corre a água. Os pés entram no líquido fresco. Uma sensação gostosa e refrescante sobre pelos pés da sacerdotisa e percorre todo o corpo. Ellora se abaixa e pega um pouco de água com as mãos, lava o rosto e depois bebe um pouco para matar sua sede


Luca *Talvez seja melhor uma pequena ronda* e assim como seus pensamentos o mandaram o fez e se colocou a caminhar pela floresta para verificar as mulheres que estavam sob sua guarda. Boceja cansado da noite, coça a barba, olhando para o céu e por algum instante se distrai ao admirar as nuvens. E como um estalo a ideia de procurar por Ellora o toma a mente, mesmo depois de todas as palavras que lhe dirigiu não conseguia deixar de se preocupar com ela e nem com a criança q ela carrega pelos dois.

Élvia: Não consegue parar o cavalo, ele encontra se indomável, e Élvia não entende o motivo, era tão dócil….corre sem rumo pela floresta e ela agarrada a rédia e a crina do animal, roga a Deusa que este não a derrube em uma queda

Ellora se levanta. A água batia apenas no joelho. Puxa a saia para cima e escuta o barulho do líquido correndo. É agradável. Ellora pode dizer que está renovada. Se esforça um pouco para voltar à terra seca. Um líquido escorre por entre as suas pernas. Uma quantidade grande de líquido. Ellora não se recorda de ter sentido vontade de urinar. Passa a mão por entre as penas para sentir o cheiro. Não fede a urina. Ellora estremece e fica preocupada. Seu afã é de correr atrás do monge, ou de uma de suas discípulas. Fica com medo e dar a luz sozinha.


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Luca Busca pela senhora e o barulho da água o guia. E como da primeira vez ele a vê, na água com a saia levantada e no rosto uma expressão diferente, a olha “Ellora, o que houve?” e sem esperar resposta a segura pelo braço com o objetivo de lhe dar apoio naquele momento

Élvia: O cavalo começa a diminuir o ritmo e Élvia escuta um barulho de água..tenta puxar mais uma vez a rédeas e o animal começa a ceder assim que se aproxima de um rio....De repente o animal para e se coloca em duas patas quase fazendo Élvia cair, assim que o animal acalma se ela desce rapidamente e senta-se no chão próximo ao rio e coloca as mãos na cabeça para tentar recuperar o folego

Ellora não escuta direito a voz do monge, nem entende direito o que ele diz, mas nota sua presença. Olha para ele com o rosto assustada e coloca a mão na barriga. Respira uma, duas vezes profundamente "Eu preciso encontrar um lugar seguro…. Preciso encontrar um lugar seguro" diz repetidamente

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Luca "Mas agora? ... Aqui??" começa a respirar tao fundo quanto ela e busca a sua volta um lugar seguro ou que seja pelo menos confortável para o que está por vir. "Ellora, você consegue andar, não é? Eu acredito que água seja o lugar mais seguro agora." Olha para ela esperando algum sinal de confirmação.

Élvia: Ao levantar a cabeça visualiza uma mulher na beira do rio e jundo dela um homem com algo brilhante, forçando os olhos vê sua Gran sacerdotisa Ellora e ela está sendo amparada pelo homem….sai correndo pelo rio, molhando o vestido e tendo de segurar lo para que não dificulte o andar nas águas, tropeça cai e molha se toda, mas a visão de sua grã sacerdotisa com um homem e curvada a faz levantar e correr até ele. " Ellora! o que se passa? " pergunta com olhar sério para o homem

Ellora olha pros dois com um olhar assustado. Ellora pensa se não seria mais fácil deixar a curso da vida seguir o parto naturalmente, sem ajuda de ninguém. Um homem nervoso e uma sacerdotisa atrapalhada. Sente uma pequena contração, sutil. Respira profundamente: “Eu vou parir meu filho. Meu filho. Vá Luca. Preciso de um local seguro, e com água. Também precisaremos de sua camisa.” vira-se para Élvia: "conto contigo para fazer o parto. Este parece que nunca viu uma égua parir"

Luca " O que? Não me olhe assim!... " diz para a mulher que acabou de chegar do além, ainda com a respiração inconscientemente acompanhando a de Ellora, "Estou aqui para ajudar.. Er.. acredito eu .. " E começa a suar frio, pois não sabe exatamente o que fazer, nunca tinha visto um parto antes, só sabia o que ouviu falar, o que também não era muito, isso não era tarefa para homens e sem pensar muito concorda com as palavras de Ellora. "Minha camisa? .. certo.. " E começa a tirar a sua armadura em busca da sua camisa.. *um lugar seguro e água..* .. pensa o tempo todo para não esquecer a ordem de suas tarefas... segue tirando sua armadura e a jogando no chão sem se preocupar com mais nada.

Élvia olha para o homem e concorda com a cabeça em sinal de afirmação, Pouco se importa com ele apenas começa a dar ordens, pois já realizara muitos partos. " homem me ajude a deita la, ela não tera muito tempo!" “Ellora, como estão as dores?” Com ar de preocupação segura Ellora pelo braço e vai levando a para uma moita de musgos úmidos


Ellora segue guiada por Élvia e diz: “Estou bem. Mas ainda não quero deitar. Não estou com dores. Acho melhor caminharmos um pouco. A criança precisa começar a descer antes....” Diz se recusando a sentar no musgo ainda

Élvia olha para Ellora e diz “pelo que estou a ver estamos perto da santa casa e esta encontra se vazia, acha que consegue caminhar até lá?”

Luca Entrega a camisa para a mulher que acabara de chegar e procura imediatamente algo para carregar a água que fora pedida e por não encontrar nada, pega as botas de sua armadura e as lava na cachoeira. Enchendo o máximo que ali cabia sem derramar e chega ate as mulheres. “Estão limpas, acreditem em mim….” e olha para Ellora tão preocupado q o deixa com o rosto vermelho..

Ellora olha irritada para Élvia: “Eu me recuso a nascer em local cristão. Eles só sabem fazer cortes no corpo e usam estrume como remédio para suas poções que mais aceleram a morte que salvam as pessoas. Aquele é um lugar condenado pela deusa. Meu filho não nascerá lá. Hugh” - Sente a primeira contração mais forte e se apoia. "Eu vou apenas andar em círculos…. para a criança começar a descer." - diz respirando profundamente

Élvia já mais que preocupada segura Ellora pelos cotovelos, mesmo sabendo quem ela é, e diz de forma rígida" Escute bem Ellora venha e se agache perto do rio, a criança vai descer mais rápido e é um lugar mais limpo, me escute já fiz isto muitas vezes em minha aldeia"

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Luca "A santa casa está aqui para ajudar os necessitados, Ellora. Não duvide do auxílio que pode receber de lá.. " E mostra suas cicatrizes.. "não é hora para ser teimosa…. " Fala na esperança de que talvez ela seja sensata...


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Élvia insiste com Ellora" Minha senhora, minha Gran sacerdotisa não ha ninguém na santa casa, eu estou com as chaves! A médica saiu em viagem"

Ellora olha para o dois, bate pé firme e continua caminhando em círculos. Respira profundamente e resolve, no fim, cantar a mesma música que cantava para o monge, a fim de se acalmar. Mais uma contração. Dessa vez mais forte. Ellora pára, e apoia em uma árvore e contrai a cara, em sinal de dor. A respiração fica acelerada e com dificuldade caminha até o musgo. “Aqui está ótimo”

Luca Vai até Ellora e lhe segura a mão. "Venha mulher, faz o que você diz que sabe fazer... por favor.. " implora para a mulher que acabara de conhecer e em sua mente para que Deus faça tudo de acordo com a vontade Dele e que essa criança e a mulher que o fez pecar de todas as formas imagináveis saíssem dali sem problemas.. "O que eu faço... " pergunta para Ellora, baixinho e a olhando profundamente ..

Élvia corre até Ellora e ajuda a sentar se devagar no musgo macio e assim que Ellora senta se pega um pedaço da saia e rasga entregando ao homem " pegue e vá ao rio limpe bem e traga muito molhado ela precisará" Volta se para Ellora e diz " Vamos tente se deitar mais e abra as pernas para que eu possa ver se o bebe já vem"

Ellora senta e tenta vira de lado para relaxar um pouco. As contrações estão mais rápidas, frequentes e fortes. A respiração está mais acelerada. O suor começa a cair no rosto de Ellora. É tão mais fácil quando é a pessoa que faz o parto, e não quem dar a luz. "AHHHHHHHHHHHHHH" -Ellora dá um grito de dor

Élvia Grita pelo homem " Traga esse pano!!" e segura com força a mão de Ellora dizendo docilmente " respire….profundamente e deixe me ver como está sua abertura" Posiciona se em frente as pernas de Ellora, levanta a saia dela e observa que a mesma já possui uma boa abertura" Calma Ellora ele já vem!"

Luca Pega o pedaço de pano que lhe foi entregue e entra dentro do rio, lava e o encharca, quando ouve o grito de Ellora nas suas costas e esse som o faz arrepiar toda a espinha. EM sua mente começa a rezar o Pai Nosso e volta, entregando o pano molhado para a mulher desconhecida e olha para Ellora. Com um olhar assustado e continua a respirar junto com ela..

Ellora coloca a mão na terra e a pressiona com força. Mais um grito. A vontade de Ellora é de rasgar a terra com sua própria mão. Sente o pano frio encostar em sua pele, que está muito quente.. Olha pra Luca que parece mais nervoso que ela. Começa a falar em língua celta de nervosismo

Élvia segura e abre mais as pernas de Ellora, coloca a mão na abertura pois o sengue começa a sair e vai apalpando para sentir se a cabeça da criança esta por vir

Luca Ouve as palavras de Ellora sem entender nada e vê o movimento da mulher que acaba de abrir as pernas dela e a apalpar e engole seco ao ver tudo isso busca pela mão de Ellora. E tenta parecer o mais calmo neste momento. E acena positivamente com a cabeça tentando dizer que dará tudo certo.

Luca Ouve as palavras de Ellora sem entender nada e vê o movimento da mulher que acaba de abrir as pernas dela e a apalpar e engole seco ao ver tudo isso busca pela mão de Ellora. E tenta parecer o mais calmo neste momento. E acena positivamente com a cabeça tentando dizer que dará tudo certo.

Élvia observa de relance o homem aflito e pede a ele " pegue o pano e sua camiseta e lave novamente " Começa a entoar baixinho em línguas não conhecidas por muitos que a grande Deusa vem dar aluz ao seu filho, a fim de acalmar Ellora e lhe ajudar na hora..Volta a apalpar e sente a cabeça da criança, suspira aliviada" Força Ellora, Já está para começar"


Ellora sente o corpo do bebê passando por entre sua vagina, que está dilatando para a passagem do bebê. A respiração e as contrações continuam fortes e aceleradas. É difícil respirar profundamente entre elas. Ellora está pálida, cansada, suada. Fica exausta. Já está ali em trabalho de parto ha um bom tempo. Aperta a mão de Luca, mas não consegue olhar para ele. Uma contração vem. Aperta com muita força. Assim que relaxa brevemente e sente o bebê já havia passado a cabeça pela vagina, empurra a barriga com o corpo, na tentativa de expulsá-lo mais rápido de seu corpo.

Luca recolhe o pano e a camisa e faz o que lhe foi ordenado, mas não consegue tirar os olhos da mulher da floresta, da mãe da sua criança.. E o nervoso o faz morder os lábios com força e o mais depressa retorna com tudo encharcado novamente. E sente os apertos em sua mão que vem de Ellora e segura a expressão de dor que teus apertos também o fazem sentir..

Élvia segura a cabeça do bebe que já sai da vagina de Ellora e começa a ajuda la puxando delicadamente a criança.." Ellora só mais um empurrão! força agora! toda sua força!"

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Ellora faz uma ultima força e dá um grito colossal, que poderia ser ouvido por toda a floresta. Em sua mente *Oh deusa. Oh mãe. Por que é necessária tamanha provação. Cuide dessa sua filha, minha senhora" e consegue expelir a criança para fora do seu corpo, respirando um pouco mais aliviada. Sente toda a musculatura interna tensa e exausta do trabalho que ainda não está finalizado.

Élvia segura a criança que sai rapidamente do corpo de Ellora e a aconchega em seus braços, olha para o homem e diz " pegue a adaga na dobra de minha saia e limpe-a para cortar o cordão" " Ponto Ellora respire.. é um lindo menino!" Diz com o sorriso no rosto e as mãos sujas de sangue e placenta.

Luca vê a força que Ellora faz e entende a força que esta mulher tem, o que sempre soube e que agora se maravilhava em vê, mais uma vez e agradece a Deus por ter lhe trago para terras distantes e que o fez conhecer tal mulher. Chora ao vê q a criança acabara de nascer e sente o alívio de Ellora por ter completado mais essa missão. Pega a adaga que lhe pediram, a lava no rio e entrega na mão da mulher e ouve a palavra e a repete.. "Menino? é um menino???" e sorrir com as lagrimas escorrendo dos teus olhos e se inclina para poder vê a sua criança.

Ellora apenas respira profundamente exausta, sem ter muita disposição para muita coisa. Depois, como que por instinto materno pede: "Élvia, deixe-me ver. Deixe-me ver meu filho"

Élvia pega a adaga da mão do homem e corta de uma vez o cordão umbilical. Coloca a criança sobre os seios de Ellora e começa a puxar a placenta que ainda não terminou de sair. Seus olhos estão marejados de lágrimas, é sempre assim quando trás a vida uma criança..e esta veio sem complicações..



Luca se aproxima dos dois e sem pensar muito, toca seu filho que está agora nos braços da mãe e sente que nunca tinha visto nada mais lindo em sua vida e que toda sua força e fé se converteu em amor por aquelas duas criaturas. "Deus é maravilhoso…. " diz admirado e tomado por uma alegria sem igual.

Ellora recebe o bebê do colo de Élvia e o encosta no rosto. Nesse momento esquece toda a previsão que sonhara com a gravidez e nascimento da criança. Sorri. Escuta o choro da criança. E chora junto. A adrenalina do parto aos pouco vai se tornando cansaço. Ellora oferece o peito para criança e ela mama avidamente. O primeiro leite. O mais grosso de todos. Mãe e criança sincronizam a respiração. Até que ambos durmam.



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