Ostara
"O sono mortal do inverno lentamente desaparece,
e a terra mais uma vez renasce.
Como Mitras e Osíris,
que renasceram da morte,
a vida novamente retorna à terra,
surgindo como o brotar das flores.
Com o aquecimento do solo e os dias que ficam mais longos,
formas de orvalho ao longo novos brotos de grama,
trazem a vida de volta.
Desperte! Desperte! Desperte!
E eleve-se!
Que a terra volte à vida,
e bem-vindo seja a luz da primavera."

Ellora pondera olhando para o pano que baila na entrada do Salão sacerdotal. É noite. É Ostara. Tempo de renovação. O que Ellora estivera fazendo até aquele momento e como Ostara flui em sua vida como espelho para que sirva de exemplo para os seus e as suas, filhos e filhas, irmãos e irmãs. Seu Tuah. Não deixa de pensar em Athair, em Morrighan, em Luca. Em seu filho que mal pudera ver o rosto e segue nos braços da baronesa. Ellora está sentada. Arianrhod em sua mão e um coelho negro em seu braço. O vento que transpassa a porta traz o aroma da primavera dos pictos. A primavera do clã. Ela se levanta do trono da Gran sacerdotisa e caminha, lentamente, até a saída. É tempo de renovação.
Morrighan passara o dia se preparando para o início do Festival. Era o início do Equinócio da Primavera, momento de equilíbrio onde a vida volta a florescer com intensidade. As plantas começaram a dar seus primeiros e singelos indícios de vida. E em seus aposentos, Morrighan refletia sobre tudo que vivera até o momento. “O Deus Sol está em seu período de puberdade, cheio de energia e bastante disposto. A Deusa está em sua fase Donzela, também cheia de energia e de vida. Em breve, suas almas irão se unir em Beltane.”, pensava a Deusa enquanto deixava seus negros trajes de lado e vestia-se para Ostara como o colorido da Primavera.
Ellora sai dos seus aposentos. O ar primaveril de Ostara preenche o peito da sacerdotisa de juventude. Assim como a deusa, Ellora se sente jovem, fértil, plena em sua feminilidade. Plantas adornam seu corpo pintado com as cores azuis de seu clã. A meia lua crescente no centro da testa, símbolo das filhas da deusa, continua acesa no centro de sua testa. Arianrhod alça voo. Ellora coloca o coelho delicadamente no chão que insiste em ficar um pouco ao seu lado. A sacerdotisa mora ao seu redor, a vila parece pronta para Ostara. É a deusa e o deus reafirmando o ciclo do mundo.
A guerreira já vestida para o Festival sai dos seus aposentos e aproxima-se do altar destinado a honra e devoção a Eostre. Frutas, grãos e flores são colocados em oferenda ao pé do altar. Além do incenso, estão os tradicionais ovos tão significativos para época. Diz-se que Eostre ficou tão encantada com os ovos decorados que pediu a um coelho que ele os entregasse de casa em casa para que todos pudessem compartilhar desta alegria. O ovo por si só é um símbolo de fertilidade, carregador da vida. Os ovos decorados eram deixados sob os pés das árvores e as vezes escondidos para que, quem encontrasse, garantisse fertilidade, alegria e sucesso em suas metas. O coelho também é um símbolo muito importante desta época. E enquanto a Deusa vai preparando o altar, se recorda de todos aqueles que estiveram e compartilharam de boas lembranças na aldeia. Não há como não lembrar das boas risadas que compartilhava com seu pai Athair sentados a beira da fogueira. Morrighan permanece em silêncio por alguns minutos.
Lemysia, com muito sacrifício, tenta acompanha Alanna que saiu correndo na frente. Não consegue acompanhá-la, não conhece muito esses caminhos mas por um milagre consegue chegar ate a entrada da aldeia, porém fica preocupada com Alanna pois não a vê em parte alguma.
Ellora entoa um canto, pois em sua religião todo canto é reza, toda reza é uma flor, toda flor é a deusa se manifestando em graça, força e beleza. Sua voz é serena, o canto é solene. Seu corpo está leve. O vento passa como se quisesse levar as palavras para o mundo. Ela caminha indo para o local do altar de oferenda à deusa Eostre, enquanto canta a reza:
"Louvado seja este tempo de flores,
Que a deusa Mãe nos traz
Que todas as cores possam colorir
Todas as vidas de todos os seres,
Alegria para que possamos renascer harmonicamente,
Com saúde e beleza,
Espalhando amor e paz
Para todos os solos corações germinarem
Em sintonia com
O planeta terra, água, fogo e ar,
Louvado e honrado sejam todos os caminhos
Que conduzam
Ao paraíso celeste e terrestre,
Que nesta primavera
Possamos florescer
Alegres e afetuosos
Com o coração liberto de pesos e ilusões,
e assim restaurados pelas mãos Daquela que dá a Vida."
Seu silêncio é quebrado com a chegada de Ellora que se aproxima entoando um canto. “Slania tei!” assim saúda Morrighan à Ellora levando suas duas mãos cerradas ao peito. "Todas as oferendas foram postas minhã irmã. A Aldeia apenas aguardava sua chegada
Lemysia, caminhando lentamente chega até o altar arrumado e perfumado. Traz consigo algumas flores para que por junto as oferendas. Cantando junto com Ellora começa a agradecer e a dançar e cantando livremente com o sentimento de gratidão pela vida.
Ellora vê sua irmã fazendo a saudação e a devolve com prazer: “Slania tei! Que a deusa te abençoe minha irmã.” Olha para o lado e Vejo Lemysia colocando flores e presentes no altar. Um misto de sentimentos surgem na cabeça da sacerdotisa mas, principalmente, a felicidade de ter sua futura pupila entregue ao ritual da grande deusa: “Que a deusa aceite essas oferendas que lhe entregamos com todo fervor que habita em nossas almas. Que sua dança seja a própria deusa bailando com seu manto sagrado de renovação, Lemysia. Agora venha, logo bailaremos todas. Antes devemos sacralizar os ovos, o mel, as frutas e flores para a deusa.” Diz isso quando já começa a se ajoelhar para dar continuidade ao ritual
Star of Honor v1.5: ===ROLAGEM DE DADOS ATRIBUTO PERCEPÇÃO===
Star of Honor v1.5: Morrighan lançou os dados e tirou 11 + 6 = 17
Morrighan permanece com suas mãos cerradas em posição de devoção a Deusa. Enquanto observa sua irmã dar inicio ao ritual, algo chama-lhe a atenção. Morrighan fixa seu olhar sobre Lemysia e enquanto a jovem rodopia seus braços bailando em devoção a Eostre, Morrighan tem a visão: um cervo (animal) corre em direção a floresta. Morrighan nada diz a respeito, apenas continua tentando se concentrar no ritual.
Lemysia diz para si mesma em tom confessional “oh deusa Eostre, senhora de Ostara. Tu que és a Deusa da ressurreição, da fertilidade, do renascimento e da primavera. Traga essa união ao meu povo que tanto amo, Que a união e a igualdade esteja sempre no meio do nosso povo, se faça presente entre nós.”
Ellora se ajoelha no altar. O cheiro das frutas e flores se misturam ao incenso, deixando ao ar adocicado. Ellora Abre o pote de mel e derruba o líquido viscoso e amarelo-ouro sobre as frutas, que ficam com um brilho vivido que relampeia perante as chamas da fogueira. Suas mãos, meladas com o mel, pegam um punhado de terra: "A terra onde tudo nasce, tudo brota, tudo germina. Terra de onde emana a vida. Parte da terra é arremessada ao fogo, que ameaça apagar mas retorna forte e vívido. Outra parte, com o mel, ela passa no corpo e no seu próprio ventre, pedindo que a fertilidade chegue em todas as mulheres de seu clã. Então Ellora vira-se, pega os ovos da cesta e os atira ao fogo, entoadas a reza dedicada a Eostre:
“Sagrada Senhora, espíritos do fogo, da terra, do Ar e da água; Donzela da pureza, bela e justa, representação da Mãe Terra, doadora de vidas, anciã, sabia,
Invoco agora sua Divina Presença
Abençoado seja este momento de primavera sob o nome divino de Eostre,
Deusa da fertilidade e da primavera.
Sob seu sagrado nome e sob a sua proteção este ritual de renascimento agora se inicia.
Abençoada seja a deusa da fertilidade,
Abençoado seja o seu ritual da época da primavera.
Abençoado seja o rei deus sol, abençoada seja a sua luz sagrada.
Finalmente a deusa da primavera renasceu,
A sua beleza dá vida às árvores e às flores.
Abençoada seja a divina deusa das matas.
Ela é a criadora de todas as coisas vivas.
Abençoado seja o senhor das matas.
Eu canto esta canção para a deusa e para o deus.
Despertem, despertem todos e ouçam a voz do chamado da deusa.
Abençoada seja a nossa mãe terra, que ela seja preenchida com paz, magia e amor.
A deusa respira a vida.
A deusa dá a vida.”
Star of Honor v1.5: ===ROLAGEM DE DADOS ATRIBUTO INTELIGENCIA===
Star of Honor v1.5: Ellora lançou os dados e tirou 15 + 7 = 22
Star of Honor v1.5: ===ROLAGEM DE DADOS ATRIBUTO PERCEPÇÃO===
Star of Honor v1.5: Morríghan lançou os dados e tirou 2 + 6 = 8
Morrighan permanece em pé em sentido de adoração
Lemysia permanece de joelhos entoando cânticos baixinho para a deusa. De repente uma calmaria invade seu coração. A brisa passa pelo seu rosto e observa a minha volta que tudo e paz e energia. Sente-se feliz e renovada. A chama que arde dentro do seu coração é perfeita. Sente-se segura.
Ellora se levanta finaliza o ritual e olha ao redor: “que todos dancem e bailem. Celebrem Ostara em seus corpos. Sejam a própria deusa renascendo depois da dureza do inverno. Recomecem. Sejam férteis e abundantes em sua existência.” Diz a sacerdotisa se levantando e indo bailar entre as pessoas, finalizando a oferenda a deusa.
Morrighan mal conseguia se concentrar nas palavras que Ellora pronunciara em todo o ritual, pois, mais uma vez a aparição do cervo lhe chama a atenção. Desta vez, o animal, fica parado ao longe por breves segundos enquanto fixa seus negros olhos aos olhos de Morrighan. Morrighan pode ver, como se penetrasse na mente do animal, a imagem de um homem, um forte e bravo homem se extinguindo em sangue. De repente, o animal corre de volta para a floresta e Morrighan volta a si. Senti um frio na espinha, um calafrio toma seu corpo e sentindo a presença da morte instaurada naquela visão, Morrighan levanta-se em sem mencionar nenhuma palavra, corre para seus aposentos.
Lemysia entrego toda a adoração a deusa e me despeço calmamente saio em seguida.
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